Tomografias revelam detalhes sobre vida dos habitantes de Pompeia há cerca de dois mil anos

20/10/2015

Por:CaarapoenseNews

Com informações do G1

(Foto: Reuters/Ciro De Luca)

As pessoas que viviam em Pompeia há cerca de dois mil anos, que morreram devido à erupção do Vesúvio em 79 d.C., tinham dentes perfeitos, consequência de uma alimentação saudável, embora ossos frágeis devido ao excesso de flúor das águas dos mananciais em que bebiam.

Estes são os primeiros surpreendentes detalhes divulgados sobre uma pesquisa sem precedentes, que submeteu a tomografias computadorizadas 30 restos mortais encontrados nas escavações de Pompeia que ficaram conservados em moldes de gesso.

Como se formaram os moldes de gesso?

Pesquisadores preparam molde de gesso de garoto de Pompeia para ser submetido a tomografia computadorizada  (Foto: Reuters/Ciro De Luca)
Pesquisadores preparam molde de gesso de garoto de Pompeia para ser submetido a tomografia computadorizada (Foto: Reuters/Ciro De Luca)

Com a erupção do Vesúvio, as cinzas que caíram sobre Pompeia cobriram os corpos das vítimas. Com o tempo, essa cobertura formada por cinzas e rochas se solidificou. O  material orgânico se decompôs, mas o espaço oco no meio das rochas preservou os formatos dos corpos.

Conforme encontrava esses “vazios” em formato de corpos, os arqueólogos preenchiam esse espaço com gesso para preservar o formato exato dos habitantes de Pompeia. Mas esse material continha também restos de esqueletos e dentes bem preservados.

Essa técnica de preenchimento dos ocos nas rochas para obtenção de moldes foi desenvolvida pelo arqueólogo italiano Giuseppe Fiorelli, que coordenou as excavações de Pompeia no século 19.

Entenda a pesquisa

Molde de gesso de vítima de Pompeia: cientistas submeteram restos a tomografia computadorizada para analisar restos mortais, como ossos e dentes, em meio ao gesso  (Foto: Reuters/Alessandro Bianchi)
Molde de gesso de vítima de Pompeia: cientistas submeteram restos a tomografia computadorizada para analisar restos mortais, como ossos e dentes, em meio ao gesso (Foto: Reuters/Alessandro Bianchi)

O projeto começou em agosto, com a restauração de alguns dos moldes de Pompeia, mas arqueólogos, antropólogos, radiologistas, dentistas e engenheiros especialistas em scanner se concentraram em 30 desses deles.

As tomografias foram feitas nos moldes de gesso que permitiu aos pesquisadores conhecer detalhes das vidas, costumes, ocupação e classe social desses habitantes.

Os primeiros resultados determinaram que a maioria dos moradores de Pompeia tinha dentes saudáveis graças a uma alimentação saudável, com pouco açúcar. Em algumas das arcadas dentárias é possível observar imperfeições que indicam que morador utilizava os dentes para cortar.

 Restos morais, como ossos e dentes, ficaram bem conservados em meio ao gesso que preservou o formato dos corpos dos moradores de Pompeia  (Foto: Reuters/Alessandro Bianchi)

Restos morais, como ossos e dentes, ficaram bem conservados em meio ao gesso que preservou o formato dos corpos dos moradores de Pompeia (Foto: Reuters/Alessandro Bianchi)

As primeiras análises em um homem revelaram também um problema nos ossos devido à excessiva presença de flúor nas barras aqüíferas vesuvianas.

Fumante de cachimbo ou tocador de flauta?
As análises acabam de começar, mas os responsáveis do projeto explicaram que estes exames são capaz de reconhecer, além de dados básicos, como idade e sexo, também se era “um fumante de cachimbo, um músico que tocava flauta, assim como a origem geográfica e a condição sócio-econômica”.

A equipe usa um equipamento de tomografia computadorizada de 16 cortes capaz de fazer um exame de todo o corpo em 100 segundos.

O grande problema é “a densidade do gesso utilizado, pois é muito parecida com a densidade dos ossos, e por isso foi necessário recorrer à alta tecnologia”, explicou hoje o superintendente de Bens Culturais de Pompeia, Massimo Osanna.

Fonte: G 1 

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